sábado, 19 de março de 2011

Redação: Persuasão e Argumentação

TEXTO - CHARUTOS OU BOMBAS?
BRASÍLIA – Os EUA invadiram o Afeganistão, erraram alvos, bombardearam o que havia sobrado da antiga invasão da União Soviética e estão até hoje por lá. Mas Osama bin Laden continua lépido e solto por aí.
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, perambulou dias e dias pela Palestina, falou com as principais autoridades, propôs negociações e insistiu num processo de paz, mas voltou ontem aos EUA de mãos abanando. Israelenses e palestinos continuam se matando.
Agora, confirma-se que funcionários norte-americanos andaram conversando com golpistas venezuelanos às vésperas do golpe de sexta-feira. E que, no dia de sua “posse”, o líder golpista Pedro Carmona falou com manda-chuvas de Washington. Flagrado, o Departamento de Estado mandou o porta-voz jurar que não participou nem estimulou golpe nenhum. Claro! Provavelmente foram só conversas de velhos amigos. Sobre beisebol, quem sabe.
Na política externa, pois, um desastre. E o que dizer da política comercial? Um exemplo: ao intensificarem o protecionismo ao aço, os EUA abriram uma reação em cadeia (União Européia, Canadá, México...) que, entre outras coisas, prejudica duplamente o Brasil: os produtores nacionais passam a ter margens pequenas de exportação e ainda ficam sujeitos à competição do excedente externo.
Sem falar na posição chocante contra o Protocolo de Kyoto, que tenta limitar os gases tóxicos na atmosfera e, assim, salvar o planeta para os nossos bisnetos e os bisnetos deles. O Governo George W. Bush surgiu numa crise de legitimidade e vai de mal a pior. E o mais curioso é a opinião pública interna, que quase triturou Bill Clinton por causa da Monica Lewinski e assiste passivamente aos fracassos retumbantes de Bush.
Cá pra nós, os charutos, balinhas de hortelã e traquinagens sexuais de Clinton entre quatro paredes na Casa Branca eram muito mais inofensivos do que as bombas, os golpismos e os erros de Bush ao redor do mundo.
[CANTANHÊDE, Eliane. Folha de S. Paulo, 18 abr. 2002, p.A-2.]

1.    No título, a que aludem os substantivos CHARUTOS e BOMBAS? Que funções cumprem a conjunção OU e o ponto de interrogação?

2.    Leia atentamente os verbetes do dicionário eletrônico Aurélio.

METÁFORA
[Do Gr. metaphorá, pelo lat. Methafora.]
S.f. 1. Tropo que consiste na transferência de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado. [Por metáfora, chama-se raposa a uma pessoa astuta, ou se designa a juventude primavera da vida.]

METONÍMIA
[Do gr. metonymía, pelo let. metonymia.]
S.f. 1. Tropo que consiste em designar um objeto por palavra designativa doutro objeto que tem com o primeiro uma relação de causa e efeito (trabalho, por obra), continente e conteúdo (copo, por bebida), lugar e produto (porto, por vinho do porto), matéria e objeto (bronze, por estatueta de bronze), abstrato e concreto (bandeira, por pátria), autor e obra (um Camões, por livro de Camões), a parte pelo todo (asa, por avião) etc.
      - Que figura de linguagem é utilizada no título?

3.    Como a autora do texto se posiciona diante da pergunta proposta no título?

4.   Ao selecionar as palavras CHARUTOS e BOMBAS, a autora do texto já está fazendo uso de um recurso de convencimento, ou seja, ela está tentando persuadir o leitor para que este concorde com suas posições. Considerando o posicionamento da jornalista, justifique a escolha das palavras do título.

5.    Aponte dois adjetivos cuja seleção denuncia o posicionamento da jornalista e se constituem em recursos persuasivos.

6.    Releia o primeiro parágrafo e comente os vários recursos que a autora utiliza para realçar um contraste, uma oposição de idéias.

7.    Considerando que o texto é argumentativo, explique qual o efeito do seguinte trecho:
“Claro! Provavelmente, foram só conversas de velhos amigos. Sobre beisebol, quem sabe”.
                - Em seguida, selecione uma outra passagem em que se encontre o mesmo efeito.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A rua penetra o edifício [Umberto Boccioni - 1882-1916]

Umberto Boccioni [1882-1916], um dos principais teóricos do Futurismo, retrata, em suas telas e esculturas, a vida moderna plena de movimento, dinamismo e força. Nesta tela, “A rua que penetra o edifício”, as formas tornam-se transparentes, interiores e exteriores interpenetram-se, são pintados em sobreposições simultâneas, tal como os acontecimentos que se desenrolam no edifício e na rua. O nervosismo febril da vida urbana, com seu ritmo alucinante, compõe o cenário tumultuoso da obra de Boccioni.

A jangada da Medusa



























http://www.4shared.com/file/V97qvcqD/A_jangada_da_Medusa.html

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Literatura: A REVOLUÇÃO ARTÍSTICA DO INÍCIO DO SÉCULO XX

Texto e intertexto – Tela A jangada da Medusa (Théodore Géricoult) / Tela A jangada da Medusa (Asger Jorn)




1.  A tela de Théodore Géricault (1971-1824) retrata um fato real: “No verão de 1816, uma fragata francesa, Medusa, naufragou na costa da África, quando levava colonos e soldados para Senegal, então colônia francesa. O incompetente capitão era um aristocrata que obtivera sua posição por meio de influências políticas. Quando o navio afundou, ele entrou num dos poucos botes salva-vidas, deixando os passageiros, que considerava seus inferiores sociais, abandonados à própria sorte. Os 149 homens (e uma mulher) construíram uma jangada improvisada e ficaram à deriva no mar por treze dias. Apenas quinze sobreviveram nessas terríveis circunstancias, e relataram-se casos de canibalismo e loucura. Outros cinco morreram após chegarem em terra”.  (CUMMING, Robert. Para entender a arte. São Paulo: Ática, 1996.)
   A tela retrata o momento em que os sobreviventes avistam na linha do horizonte as velas do navio Argus, que iria salvá-los (o Argus é uma pequena mancha situada baixo do cotovelo do homem que agita uma camisa branca).
a.        Apesar de representar um fato real, a pintura de Géricault é romântica, idealizada. Aponte algum aspecto que comprove essa idealização.
b.        Comente um recurso utilizado pelo artista para aumentar a dramaticidade da cena.
c.        Os críticos comentam que Géricault organizou a composição da tela construindo duas pirâmides, que teriam, como ápice; o topo do mastro e a camisa vermelha agitada por um dos personagens. Essa segunda foi batizada de “pirâmide da esperança”. Justifique esse nome.
2. Asger Jorn (1914-1973), dinamarquês, foi um dos fundadores, em 1948, de um grupo radical de arte moderna autodenominado CoBrA (de Copenhague, Bruxelas e Amsterdã). A proposta do grupo, que fundia alguns princípios dos movimentos de vanguarda do início do século, era lutar “num golpe de humor, contra o verbalismo vazio, a hesitação e o centralismo”. Jorn, o principal representante do grupo, recriou algumas obras famosas, como a tela de Géricault.
   Observe atentamente a tela de Jorn e escreva um pequeno texto comentando a recriação feita pelo artista e o tipo de emoção que cada uma provoca.
3. Você acha que a arte deve sempre retratar as coisas belas, o mundo organizado e equilibrado? Por quê?


1. 

Língua portuguesa: Linguagens

Rios sem discurso
Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
(MELO NETO, João Cabral de.
In: A educação pela pedra. Rio de Janeiro:
José Olympio. 1979, p.26.)

1.    O poeta fala de uma situação natural que tem conseqüências sociais: a seca do rio. Para isso, vale-se de uma associação entre o rio e a linguagem verbal. De que maneira ele constrói essa ligação?
2.   Uma “cheia” corresponderia a uma linguagem nova segundo a poesia. E a água em poço? Observe os adjetivos que lhe são atribuídos e explique o sentido.
3.   A língua é um código sistematizado. Explique de que maneira o autor explora essa característica ao fazer a analogia com um rio que secou.
4.   O autor introduz duas palavras compostas: “discurso-rio” e “sentença-rio”. Comente a diferença de significado dos termos dentro do contexto do poema e levando em conta as noções de linguagem estudadas.
5.   Relacione e contraponha os dois últimos parágrafos do texto “Mé” aos dois últimos versos do poema. Explique o uso das palavras “poder” e “combate” ligadas ao uso da linguagem.

Redação: Coesão e Coerência textuais

Sean Penn salva melodrama
“UMA LIÇÃO DE AMOR, Jessie Nelson. Bons atores são capazes de melhorar filmes medianos com atuações maiúsculas. É o caso de Sean Penn nesse drama familiar-judiciário. Ele está ótimo como um deficiente mental, fanático pelos Beatles, que luta pela guarda de sua filha de 7 anos. Embora pareça uma daquelas "atuações shows", na qual o exibicionismo da composição ofusca a construção do personagem, Penn desaparece parece por trás de sua interpretação. Cria um tipo com verdade própria, sem expor os macetes do processo criativo. Seu minucioso trabalho com o corpo e a voz alavanca um filme que, sem ele, ficaria reduzido a um melodrama feito para arrancar lágrimas. De fato, é isso. Mas a força do ator garante dignidade às manipulações emocionais da história. É difícil não se render a cenas nas quais seu personagem desafia as próprias limitações em nome do amor pela filha. Penn capricha tanto que faz a colega Michelle Pfeiffer, no papel de sua advogada, parecer uma novata perdida em cena. Seu rendimento foi indicado ao Oscar. Ele disse que vai dar cano na festa. Também furou quando concorria por Os Últimos Passos de um Homem e Poucas e Boas. Acha a cerimônia constrangedora.”
Revista Época, n. 200, 18 de Marc. 2002, p. 104.

1.    Qual é o tema central do artigo? De que maneira é desenvolvido?
2.   Considerando que um texto, como um todo, deve manter uma ligação lógica de significados, sem contradições, e que essa relação harmônica se dá, também, entre o texto e seu título, explique se o título do artigo mantém uma relação lógica com o seu conteúdo.
3.   Explique qual é a função do uso recorrente do pronome pessoal ele e dos pronomes possessivos seu e sua ao longo do texto.
4.   Releia o texto e identifique a que fazem referencia os pronomes em destaque.
“... que luta pela guarda da filha de 7 anos.”
“De fato, é isso.”
5.   Observe os trechos abaixo e explique que tipo de relação as conjunções destacadas estabelecem entre as orações. “Embora pareça uma daquelas ‘atuações shows’, na qual o exibicionismo da composição ofusca a construção do personagem, Penn desaparece por trás de sua interpretação.” “De fato, é isso. Mas a força do ator garante dignidade às manipulações emocionais da história.”

Produção textual
         Proposta 1:
Reescreva o artigo de abertura, modificando-o para ter uma ligação coerente com o título:
                 “Sean Penn estraga bom drama”
Lembre-se: a coerência do texto é dissertativa. Preste atenção no uso de conectivos para estabelecer as relações de sentido.